Padre Marcelo Rossi
 
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A origem da Novena de Natal  

 

Origem das novenas

De onde vem a prática católica das novenas? Entre outras, podemos dar duas respostas: uma histórica, outra alegórica.

Historicamente, na Bíblia, no início do livro dos Atos dos Apóstolos (At 1, 1 a 11), lê-se que, passados quarenta dias de sua morte na Cruz e de sua ressurreição, Jesus subiu aos céus, prometendo aos discípulos que enviaria o Espírito Santo, que lhes foi comunicado no dia de Pentecostes.

Entre a ascensão de Jesus ao céu e a descida do Espírito Santo, passaram-se nove dias segundo os historiadores e teólogos. A comunidade cristã ficou reunida em torno de Maria, de algumas mulheres e dos apóstolos, como descrito no texto bíblico. Foi a primeira novena cristã. Hoje, ainda a repetimos todos os anos, orando, de modo especial, pela unidade dos cristãos. É o padrão de todas as outras novenas.

A novena é uma série de nove dias seguidos em que louvamos a Deus por suas maravilhas, em particular, pelos santos, por cuja intercessão nos são distribuídos tantos dons.

Alegoricamente, a novena é antes de tudo um ato de louvor ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, Deus três vezes Santo. Três é número perfeito. Três vezes três, nove. A novena é louvor perfeito à Trindade. A prática de nove dias de oração, louvor e súplica confirma de maneira extraordinária nossa fé em Deus que nos salva, por intermédio de Jesus, de Maria e dos Santos.

Essa definição do três como número perfeito é dada devido a língua de Cristo, hebraico, não possui palavras no superlativo, como santíssimo. Então as pessoas da época para atribuir a Deus e a Jesus a ideia de que ele é o supremo diziam que Deus era “santo, santo, santo”, assim como repetimos nas missas durante a oração do Santo. Desta forma eles afirmação a perfeição de Deus Pai e de Jesus.

O Concílio Vaticano II afirma: “Assim como a comunhão cristã entre os que caminham na terra nos aproxima mais de Cristo, também o convívio com os santos nos une a Cristo, fonte e cabeça de que provêm todas as graças e a própria vida do povo de Deus” (Lumen Gentium, 50).

Nossas Devoções procuram alimentar o convívio com Jesus, Maria e os santos, para nos tornarmos cada dia mais próximos de Cristo, que nos enriquece com os dons do Espírito e com todas as graças de que necessitamos.

 

A novena de Natal

 

Dentre as práticas de piedade popular do tempo do Advento, uma das mais difundidas entre os fieis é a novena de Natal. Através desta novena, os cristãos desejam preparar os seus corações para celebrar dignamente a solenidade do Natal do Senhor, na qual contemplamos o magno mistério da Encarnação do Verbo de Deus.

 

A novena de Natal não possui uma origem precisa: ela nasce da vivência das comunidades que, carentes de ministros ordenados para celebrar a Liturgia, encontram novos meios para celebrar a fé, reunindo-se para ouvir a Palavra de Deus e elevar-lhe seus louvores e preces.

 

Da mesma forma, a novena de Natal não possui uma forma fixa: como nasce da fé do povo, assume uma multiplicidade de formas. Contudo, esta multiplicidade sempre deve estar em harmonia com a unidade. Se, como afirmava São Próspero de Aquitânia, “a lei da oração é a lei da fé”, as novenas devem estar em perfeita consonância com a fé da Igreja professada no Símbolo da Fé e celebrada na Liturgia.

 

A estrutura básica da novena de Natal segue a de uma Celebração da Palavra de Deus;

 

  1. Ritos iniciais: Inicia-se sempre com o sinal da cruz e uma saudação aos presentes. Se for oportuno, pode haver um momento penitencial (à semelhança do Ato Penitencial da Missa) e um momento de louvor (a exemplo do Glória).
  2. Liturgia da Palavra: É o centro da novena. Podem-se escolher uma ou mais leituras, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, mas dando sempre um lugar privilegiado ao Evangelho.
  3. Oração dos fieis: É a resposta dos fieis à Palavra ouvida, que assume a forma de preces de agradecimento e de súplica.
  4. Ritos finais: A novena se conclui sempre com o sinal da cruz e uma invocação à Virgem Maria, seja em forma de oração ou de um canto.

 

Deve-se encontrar igualmente o ambiente adequado para a celebração da novena de Natal. Para tanto, são valiosos alguns símbolos próprios do ciclo do Natal: a coroa do Advento, a árvore de Natal e o presépio, os quais ajudam os fieis a voltar seus corações inteiramente ao mistério do Natal do Senhor.

Fonte: Site o anunciador e Pílulas litúrgicas.

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