Dom Fernando

 

Parábola das dez virgens

Texto Bíblico: “...” Mateus 25,1-13

 

     A parábola das dez virgens, algumas prudentes e outras não, usa um simbolismo apocalíptico para despertar nos ouvintes o interesse sobre a instrução de como viver em preparação para a vinda futura do Senhor. A propósito, alertamos sobre o risco de interpretar os relatos apocalíticos em nível descritivo, sobretudo, quando eles se referem a catástrofes e acontecimentos extraordinários. O fim dos tempos supõe um processo e uma história, cujo fio condutor é a verdade do plano salvador de Deus. Para bem compreendê-lo, é necessário situá-lo na ordem da confissão ou da experiência de fé, pois, dependendo exclusivamente da manifestação de Deus, ele permanece suspenso nEle e é apreendido pela fé. Os primeiros cristãos o denominavam de “o dia da manifestação plena de Deus”.

     A parusia será o grande e solene encontro da humanidade com Cristo, descrito como uma festa de núpcias ou um banquete. Ninguém é excluído. Todos são convidados a participar dele, com a condição de trazer uma lâmpada, símbolo da vigilância ou, no dizer de S. Agostinho, “sinal das boas obras realizadas com coração puro”.  Na esfera da vida espiritual, trazer a lâmpada acesa significa conservar a “sobriedade” (nepsis) e “o coração atento” às realidades espirituais, prova de ter atingido o estado de integridade e de terem sido alijados do seu coração o pecado e a dispersão interior, causas de desordem e confusão espiritual.

     S. Gregório de Nissa considera que as virgens tolas “não tinham em suas almas a luz que é o fruto da virtude, nem no pensamento a lâmpada do Espírito. São chamadas de insensatas, porque a virtude é alcançada e vivida antes da chegada do Esposo”. As que possuem candeias iluminadas revelam estar preparadas espiritualmente para participar do banquete à mesa do Senhor. Seu desejo é que todos, mantendo-se vigilantes e íntegros, participem do banquete. O mundo é chamado à vida e a verdadeira alegria envolve a todos, pois todos estarão celebrando o “retorno de Cristo”, dia de purificação, em que todo segredo é manifestado e cada um reconhecerá, inscrito no livro da vida, o seu nome, a sua identidade em Deus, segundo quem realmente ele é.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM