Padre Marcelo Rossi
 

 

Dom Fernando

 

A ruína de Jerusalém e o fim dos tempos

 

Texto Bíblico: “...” Lucas 21, 5-19


Nos três Evangelhos Sinóticos, Mateus, Marcos e Lucas, os sinais precursores do fim do mundo são idênticos, pois, como observa S. Agostinho, “todos os três referem-se à resposta dada pelo Senhor aos discípulos que lhe perguntavam quando aconteceria a destruição do Templo por Ele predita e qual seria o sinal da sua segunda vinda, o fim do mundo”. As palavras de Jesus induzem a pensar em um longo tempo que precede à sua vinda gloriosa, e indicam que os sinais se sucederão ao longo da vida cristã ou, na expressão do santo de Hipona, “eles não cessarão de vir até o fim do mundo”.

O mesmo vale para a vinda gloriosa do Senhor. O encontro com Ele não se dará apenas no final dos tempos. Estende-se por toda a vida do cristão, num processo contínuo de assimilação, que não implica eliminação do humano, mas sim sua perfeição. Santidade é plenitude de vida. Nesse sentido, é impensável considerar a segunda vinda do Senhor ou o fim dos tempos como uma realidade trágica e temerosa, ela será manifestação do supremo amor, que reúne todas as criaturas, em suas características próprias.

Desde agora, o discípulo participa das realidades divinas, configurando-se sempre mais a Cristo. O fim dos tempos será seu ingresso definitivo no eterno de Deus. Pois o transcendente e o sobrenatural não lhe são estranhos, presentes nele constituem o coração de sua vida, o que lhe permite reencontrar Deus nos traços de sua face, de sua consciência e do seu coração. A propósito, diz S. Agostinho: “Recriados por Ele, e aperfeiçoados por uma graça mais abundante, veremos, naquele repouso eterno, que Ele é Deus, que nos plenifica, pois será tudo em todos”. Teilhard de Chardin diz por sua vez: “Como um raio, como um incêndio, como um dilúvio, a atração do Filho do homem agarrará, para reuni-los ou para submetê-los ao seu corpo, todos os elementos que gravitam no universo”.

Embora não seja possível prever o fim dos tempos, uma certeza se nos impõe: Cristo é o fundamento e o sentido do homem e do mundo. Se assim não fosse, tudo terminaria no vazio, envolto na noite silenciosa da destruição. Porém, para nosso gáudio, ouviremos naquele dia a voz tranquila e amorosa do Senhor, chamando-nos à plenitude do amor: é a vinda gloriosa do Filho do homem, presença da infinita misericórdia de Deus. Momento não de temor, mas tempo privilegiado de união com Deus. Deus “tudo em todos”, “todo em tudo”.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, o.f.m.

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