Padre Marcelo Rossi
 

 

Dom Fernando

 

Quando vier o Paráclito, ele dará testemunho de mim

 

Texto Bíblico: “...” João 15,26-16,4


Na noite da refeição pascal, reunido com os Apóstolos, Jesus fala do Espírito que Ele enviará de junto do Pai, o Espírito da Verdade e que os consolará e dará testemunho dele. Como Ele, também seus seguidores irão passar pelo batismo do sofrimento e serem perseguidos. Se até aquele instante, o Espírito estava junto deles, após a sua partida, Ele virá aos seus corações para iluminá-los e fortalecê-los no testemunho que darão a favor dele diante dos tribunais do “mundo”. Nada deverá desanimá-los. Ele não os deixará órfãos, “porque, diz Jesus, estais comigo desde o começo”. Palavras de amizade e de carinho. O seu desejo é que eles não fiquem abalados nem aflitos, mas perseverem no testemunho.

Os antigos valorizavam o testemunho dado em favor de quem apresentava uma mensagem. Assim Moisés é acolhido pelos israelitas por ter sido designado por Deus. Escolhidos por Jesus e unidos a Ele, os Apóstolos darão testemunho dele, serão seus porta-vozes, embora não só eles, também o Espírito estará com eles e “convencerá o mundo incrédulo do seu pecado”. As palavras do Mestre os confundem, deixando-os perplexos pelo fato de não terem ainda compreendido a importância de sua ida para o Pai. Agora, predomina o sentimento de tristeza com a sua iminente ausência. Jesus não os repreende, aliás, o Mestre quer apenas transmitir-lhes firmeza: é bom para vós que eu vá, “pois se eu não for o Paráclito não virá a vós”. Só mais tarde, eles compreenderão o sentido de suas palavras: A sua ida, que começa com a ressurreição, irá corresponder à vinda do Espírito divino em seus corações.

Então firmados na fé e guiados pelo Espírito da Verdade, eles darão testemunho do Cristo. Meditando sobre estas palavras do Evangelista S. João, afirma S. Agostinho, na oração final do Tratado sobre a Santíssima Trindade: “O testemunho apostólico para ser ‘fiel e verdadeiro’ deve estar duplamente fundado: No ensinamento de Jesus, seguindo-o fielmente, como também na firmeza e na luz do Espírito Santo”. Graças ao Espírito da Verdade, os discípulos proclamarão a morte por amor como retorno de Jesus ao Pai, fato que provoca a vinda do Espírito e, por conseguinte, a união deles com o Mestre, o Filho Unigênito, junto ao qual eles estarão como filhos amados do Pai.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM

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