Padre Marcelo Rossi
 

 

Dom Fernando

 

Missão dos setenta e dois

 

Texto Bíblico: “...” Lucas 10,1-9


Aos setenta e dois discípulos, enviados à missão, Jesus apresenta o Reino de Deus como uma grande messe. Sua abrangência é universal, abarca não só o povo de Israel, mas também os demais povos e nações. O objetivo é semear a Palavra de Deus no coração de todo ser humano.

Colocado, justamente, no início da subida de Jesus a Jerusalém, esse episódio caracteriza a ação formadora do Senhor, e manifesta o desejo de despertar ardor e fervor missionário em seus discípulos, continuadores de sua missão. Ele lhes concede inspiração e força para que possam tornar a Igreja presente por toda parte, em sua intenção “católica”. Mas mesmo antes de Pentecostes, durante sua vida pública, pode-se já entrever a futura missão universal dos Apóstolos. Orígenes observa: “Não só os Doze Apóstolos pregaram a fé em Cristo, mas o Evangelho nos diz que outros setenta foram enviados para pregar a Palavra de Deus, para que graças a eles, o mundo conhecesse as palmas da vitória de Cristo”. O número setenta é bastante bíblico. Moisés escolheu setenta anciãos para ajudá-lo em sua tarefa de liderar o povo através do deserto. O Sinédrio, conselho que governava o povo de Israel, era composto de 70 membros. Em Jesus, esse número quer expressar a totalidade das nações e povos, para os quais seus discípulos deviam levar sua Palavra e agir no seu poder.

Os discípulos de Jesus pertencem ao grupo dos artesãos da paz, pois “se houver um homem de paz, a vossa paz irá repousar sobre ele; caso contrário voltará a vós”. No entanto, eles não deveriam alimentar ilusões: se muitos haveriam de acolhê-los, muitos outros iriam rejeitá-los e mesmo persegui-los. Eles irão se sentir “como ovelhas no meio dos lobos”. Mas não sucumbirão, como assinala S. Cirilo de Alexandria: “Eles serão capazes de sobreviver, porque eles têm Jesus como pastor e Ele os protegerá dos lobos em meio às perseguições”. Sem qualquer traço de esmorecimento, eles serão portadores da paz, cuja saudação, destaca S. Agostinho, “é dada a todos, sem discriminação, embora só seja recebida pelos que são filhos da paz”.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM
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