Padre Marcelo Rossi
 

 

Dom Fernando

 

Ai de vós fariseus (II)

 

Texto Bíblico: “...” Mt 23, 23-32


Os fariseus cumprem a Lei com escrupulosa exatidão, a ponto de pagar o “dízimo da hortelã, da arruda e de todas as hortaliças”. Porém, não atendem a exigências de caridade e de justiça para com o pobre e desvalido. Exteriormente, comportam-se de modo exemplar, interiormente, estão distantes e afastados do verdadeiro cumprimento da Lei dada por Deus a Moisés.

Eis então que a voz do Senhor, penetrante como um dardo, ressoa por sobre a Cidade Santa: “Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas!” Vós que não cumpris o verdadeiro sentido da Lei. E de seus lábios, ecoam as palavras ditas pelos profetas, que apregoavam o direito, a misericórdia e a fidelidade. Ao invés, os fariseus agem, “como se não houvesse importância, observa S. Cirilo de Alexandria, a justiça e o amor a Deus, deveres obrigatórios a todos”. Ora, o fingimento e a falsa piedade, considerados por Jesus pecados contra o Espírito Santo, devem ser evitados por seus discípulos. Daí falar-lhes, como jamais fizera antes: “Estai atentos a não fazerdes vossa justiça diante dos homens, para que vos vejam; de outro modo não tereis recompensa diante de vosso Pai, que está nos céus” (Mt 6,1).

Ai de vós, peritos das Escrituras! Hipócritas! O povo ouvia Jesus com espanto e temor. Caíam as máscaras dos que se consideravam sábios e guias do povo, e manifestava-se o vazio de seus corações. Essa era justamente a intenção de Jesus. Suas palavras não eram de condenação, elas visavam à conversão ou à transformação interior dos seus corações. A todos, Jesus sempre manifestou sua compaixão e carinho, e agora Ele quer convertê-los e levá-los à realização da vontade do Pai. Mas por se julgarem os únicos verdadeiros intérpretes da Lei, eles se sentem agredidos e ofendidos pelas suas palavras e, rejeitando-o, tudo fazem para que o povo não o acolha. Mas a palavra do Mestre não foi em vão. Muitos de seus ouvintes reconhecem que sua crítica funda-se no fato de os fariseus permanecerem presos às práticas exteriores, “limpar copos e pratos” , não indo além, ao sentido espiritual, à purificação interior (tò entós) do coração. Pois é através do visível, como de um trampolim, que se eleva à contemplação do espiritual.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, o.f.m.

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