Dom Fernando

 

Lamentação sobre Jerusalém

Texto Bíblico: “...” Lucas 19,41-44

 

Aos olhos de Jesus, descortina-se a cidade de Jerusalém, a cidade da paz. Contemplando-a, Ele chora sobre o cenário do seu povo, convertido em “campo de ruínas”: “Jerusalém, se também tu reconhecesses hoje aquele que conduz à paz!” Pasmos, os discípulos veem lágrimas em seus olhos. Ele chorava sobre Jerusalém, preferia lamentar-se impotente a não respeitar a livre decisão do homem. Último convite à salvação. É o dia messiânico em que Deus visita misericordiosamente a sua cidade, e quer acolher o seu povo. Mas a escolha já tinha sido feita, Ele é rejeitado e não reconhecido pelas autoridades do seu tempo.

De seus lábios brota uma advertência, não a primeira, nem a última. E ele a faz não na rudeza de um juiz, decretando um castigo, mas no desejo de comunicar sua imensa compaixão por não poder evitar a catástrofe, que se avizinha. Vão é o seu esforço. Sua voz, suas lágrimas, nada penetra o coração de seus ouvintes, indiferentes ao anúncio profético dos males que haveriam de vir. S. Gregório Magno declara: “Que o Senhor tenha chorado sobre esta ruína de Jerusalém que terá lugar sob Vespasiano e Tito, todo o mundo o reconhece. Mas por que foi esse desastre infligido a Jerusalém? O Evangelho prossegue: ‘porque tu não conheceste o tempo de tua visita’. O Criador dos homens, com efeito, se dignou pelo mistério de sua Encarnação visitar Jerusalém. Ela ficou insensível às suas palavras e permaneceu indiferente à sua missão. Não chegou a temê-lo, também não o amou. Reprovando esta indiferença, Ele, de modo profético, recorre aos pássaros do céu: ‘A rola, a pomba e a cegonha observaram o tempo de sua migração; mas meu povo não conheceu o julgamento do Senhor’”.

Nossa alma exclama: Ó Jerusalém, verdadeiramente hoje é o teu dia, dia da salvação messiânica, tão esperada por ti! O cego em Jericó e o publicano Zaqueu o reconheceram, mas tu negas reconhecê-lo. As lágrimas do Messias orvalham tua terra, mas tu não deixas germinar a oliveira verdejante da paz, tu que és chamada “Cidade da paz”.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM