Dom Fernando

 

Sinais precursores do fim dos tempos

Texto Bíblico: “...” Lucas 21,12-19

 

Na oração do Pai-Nosso, pedimos que o Reino de Deus se estabeleça “assim na terra como no céu”. É o reconhecimento de Deus como Senhor e Pai, em sua transcendência divina e em sua presença amorosa. Por isso, para a Igreja antiga, a salvação não se reduzia unicamente aos cristãos. A História da Salvação, segundo S. Clemente de Roma, compreende também os judeus e os pagãos. A vinda de Jesus, sua Encarnação e Ressurreição, não excluem, mas incluem a multíplice forma de sua presença no mundo. S. Justino escreve: “Cristo é o primogênito de Deus, o seu Verbo, do qual todo gênero humano participou. Portanto, aqueles que viveram conforme o Verbo são cristãos, embora considerados ateus, como sucedeu, entre os gregos, com Sócrates, Heráclito e outros semelhantes” (1Apol 46).

Cabe aos cristãos anunciar que Jesus veio para todos. Tornando-se um de nós, ele assumiu a natureza humana e a uniu à natureza divina, concedendo ao ser humano a semente da verdade. Quem a vive, iluminado por uma consciência reta e justa, participa da salvação. Assim, na preparação e expectativa da vinda gloriosa do Senhor, todos são chamados a viver a comunhão em Cristo e a certeza de que nele são salvos, pois “pela vossa constância alcançareis a vossa salvação”.

A constância, em meio às provações, e a perseverança inserem o homem no prolongamento da Paixão do Senhor e realizam-se as palavras de S. Lucas: “Por vossa paixão salvareis vossas almas”. Neste sentido as palavras de Jesus soam como suave consolo: “Quem permanece em mim viverá eternamente”.

É a justificação final, que nos leva a compreender que a justiça, sem a misericórdia, pode levar à condenação, pois ninguém é imune de pecado. Igualmente, a misericórdia, entendida como compaixão e piedade, sentimentos humanos, seria reduzida a mero arbítrio. Por isso, ao falar da misericórdia de Deus, o Senhor a relaciona com a justiça, vista não simplesmente no sentido jurídico, mas como obediência espiritual aos mandamentos divinos. Assim, a misericórdia se erige como via de salvação, graças à qual somos resgatados por Cristo e conduzidos por ele, diz S. Ambrósio, à “vida ditosa depois da vitória, vida feliz no término do combate, vida na qual a lei da carne não se opõe à lei do espírito, vida, finalmente, na qual já não é necessário lutar contra o corpo mortal, pois o mesmo corpo mortal já alcançou a vitória”.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM