Dom Fernando

 

O servo não é maior do que seu Senhor

Texto Bíblico: “...” João 13,16-20

 

No momento solene da última ceia, Jesus lembra que não só ali, mas em qualquer outra ocasião, os discípulos deviam abolir todo tipo de ambição. Reunidos em volta da mesa, eles partilham os alimentos e sentem-se irmanados. A imagem da refeição ou do banquete era muito querida por Jesus, que a utiliza em algumas parábolas e é apresentada como sinal de comunhão na vida futura.

Para significar a humildade e o serviço, Jesus, inesperadamente, levantou-se e, após depor o manto e cingir-se com uma toalha, pôs-se a lavar os pés dos Apóstolos, dizendo-lhes: “Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, também vós o façais”. Se eu vos lavei os pés, eu, que sou o vosso Mestre, muito mais vós deveis lavar os pés uns dos outros. Mais tarde, esta passagem será utilizada contra a ambição daqueles que buscavam honrarias na Igreja, ao invés do serviço.

Já o dia ia avançado, quando Jesus toma o pão e o cálice e institui a Eucaristia, presença real e perpetuada dele na vida dos seus discípulos. Prolonga-se, através dela, a ação salvadora de sua obra. Meditando sobre esse momento, S. Cirilo de Alexandria coloca nos lábios de Jesus as palavras: “Digo-vos isto: todos irão rir de vós, no tribunal de Deus se, sendo todos servos, vós não quiserdes prestar entre vós o serviço que eu, Deus e Senhor, vos prestei”. À Eucaristia liga-se o serviço. Se ela é uma realidade constitutiva da vida cristã, o serviço não deixa também de ser indispensável, de modo que quem a recebe não pode deixar de abraçar o espírito do lavar os pés.

Em outras palavras, na última ceia, Jesus sela a comunhão dos seus discípulos com Ele e deles entre si, no amor e no serviço, pois do sacramento do amor, a Eucaristia, decorre o serviço aos irmãos. Na Igreja, esse serviço abrange o atendimento e a promoção dos mais desprotegidos, os órfãos e as viúvas, e dos mais carentes e sofredores. Justamente por isto, “todos reconhecerão que sois meus discípulos, se houver o amor entre vós”.

Dom Fernando Antônio Figueiredo, OFM